A vida é um baile de carnaval

Hoje seria o aniversário da minha avó paterna, cuja presença foi sempre marcante na minha vida. A minha avó materna continua firme e forte a caminho dos seus 95 anos.

As duas já foram homenageadas tanto neste blog, quanto no livro. Os textos foram retirados do blog por exigência contratual e quem não os leu aqui, pode encontrá-los no livro que já está à venda na livraria Cultura e no portal da Amazon.

O texto de hoje também fala de uma avó. Desta vez a homenageada é uma avó do coração.

Eu tenho sorte de ter uma família muito grande e unida. Sou, ainda, duplamente sortuda por ter tido a oportunidade de conviver com as famílias dos meus amigos, que – muitas vezes – se tornaram tão importantes quanto a minha.

A convivência com a vó Teresa e com toda a sua família foi um presente que me foi dado num período muito conturbado da minha adolescência. O seu sorriso fácil e a capacidade de rir de tudo – sobretudo de si mesma – iluminavam todos ao seu redor. Ela era daquelas avós que pintavam os cabelos de roxo, quiçá para perpetuar durante o resto do ano a sua festa favorita: o Carnaval. Foi com ela que eu aprendi a gostar de bailes de carnaval. Ela nos ajudava no planejamento das fantasias e nas compras. Tinha mais energia que todos nós e não perdia nenhuma marchinha. Energia, aliás, era seu nome. Qual avó acompanharia os netos ao Play Center para ficar na fila para eles o dia inteiro? Quem mais se preocuparia em fazer os pratos favoritos de todos, inclusive dos visitantes? Assim que me via, sempre me oferecia o meu doce de cidra favorito. Quando fazia capeletti, sempre me convidava para o jantar; dizendo – modesta – que não tinha ficado bom. Como discutir com ela de boca cheia? Existem algumas pessoas que vêm ao mundo para iluminar a vida de todos ao seu redor e este era o seu caso. Ela se foi da mesma forma como viveu. O passarinho de cabecinha roxa bateu asas e voou.

Se algumas teorias espíritas estão corretas, e cada um tem o seu próprio céu, o da vó Teresa é feito de nuvens roxas de algodão doce, rios de anisete, flores de alfazema, chuvas de confete e marchinhas de carnaval. Lá está ela, sentada nos esperando numa mesa grande, de costas para o sol, fazendo os quitutes favoritos de cada um que chega, recebendo-os com o seu eterno sorriso bondoso.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

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