A Janela

Quem somos nós para questionar os desígnios de Deus?

Ou, melhor: quem somos nós para questionar a sua existência?

Criada na fé católica,

Cresci desacreditando na Instituição,

E desconfiando de um Deus tão dicotômico,

Que ora implacavelmente castiga com uma mão e

E ora misericordiosamente salva com a outra.

Flertei – blasfêmia?- com outras filosofias e religiões,

E, se não encontrei uma resposta plausível para tudo,

Pelo menos encontrei um Deus mais justo:

Que nos dá o livre arbítrio e nos permite fazer escolhas (certas e/ou erradas) o tempo todo.

Mas, não importa qual seja a nossa Religião, Crença ou Filosofia,

Nada nos faz questionar tanto a Sua existência,

Quando nos deparamos com uma tragédia –

Seja ela de grandes ou pequenas proporções –

Principalmente quando a vida de inocentes é tirada,

Deixando famílias desamparadas.

A tragédia da qual trato aqui,

Levou embora um marido dedicado, um pai amoroso, um filho exemplar, um amigo do peito,

Tirou enfim, o alicerce de uma família

Que se viu de repente, sozinha, desamparada,

Sem acreditar que Ele tivesse tido a coragem de deixar que tal coisa acontecesse.

Mas aconteceu!

E ninguém conseguiu entender o motivo pelo qual Deus faria,

Tamanha maldade.

Todos ficaram extremamente preocupados com a família

Separada assim tão repentinamente do ser amado.

Muitos duvidaram que conseguissem superar tamanho trauma,

E sobrevivessem à tragédia.

Mas eles sobreviveram.

Pois, quando Deus fecha uma porta, ele abre uma janela.

A janela em questão foi aberta à força,

Mas quando viu que seus filhos dependiam

Da sua permanência aberta,

Ela tirou forças, ninguém sabe de onde,

Quem sabe talvez Dele,

E assumiu o controle do seu lar,

Mantendo todos à tona,

Apesar da tragédia.

Foi como se, por um milagre,

O coração que havia deixado de bater em um,

Viesse juntar-se ao que havia deixado partido,

Dando-lhe força e coragem.

Deixando o seu papel de coadjuvante,

Para se tornar o protagonista.

Ser mãe não é fácil,

Ser mãe e pai ao mesmo tempo é uma tarefa hercúlea.

Que Deus só dá,

Para aqueles que podem executá-la,

Nunca para castigá-los,

Mas sim para tirá-los das sombras,

E fazê-los brilhar.

E devemos curvar-nos, tirar nossos chapéus respeitosamente,

E dar-lhes o nosso mais sincero aplauso.

Fotoreise Island

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

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