Mas eu me mordo de ciúmes…

Quem não teve um primeiro amor arrebatador, não sabe o quanto é bom descobrir um universo de sensações e de sentimentos sublimes, que parecem infinitos. Não sabe o que é descobrir-se através dos olhos do outro. Não sabe o que é tornar-se o outro. Não sabe o que é não saber viver um sem o outro. Não sabe o que é uma paixão. E todos estes sentimentos são tão maravilhosos, que não ousamos achar que sobreviveríamos sem eles. Na verdade, eles são tão intensos que há pessoas que passam toda sua vida procurando sempre revivê-los. Elas se viciam na euforia causada por eles, como se fosse uma droga. Este “vício” é chamado de limerância. Ele é o lado patológico da paixão. É aquele lado revelado quando a razão fica debilitada, e a pessoa passa a ser prisioneira dos seus sentimentos. Estas pessoas farão de tudo – tal como faz um viciado – para alimentar este vício. Alguns ficam tão dependentes dos seus parceiros que não podem nem imaginar a mais remota possibilidade de perdê-los. Estes se tornam obsessivos, ciumentos, neuróticos. Outros nunca permanecem em nenhuma relação, pois estão sempre em busca de novas sensações, como se quisessem reviver a “primeira viagem”.

Viciados ou não, não há quem negue a importância de uma primeira paixão. Ela pode ter um impacto muito significativo na nossa vida. Há dois tipos de primeiro amor: os correspondidos e os não correspondidos. O meu foi – para o bem e para o mal – totalmente correspondido. Eu nunca fui do tipo “adolescente romântica procurando pelo seu príncipe encantado”. Mesmo assim, ele apareceu. Inesperadamente, totalmente por acidente. Não foi amor à primeira vista. A paixão e o amor foram chegando devagar, aumentando a cada encontro. Até que nos vimos totalmente envolvidos. Tínhamos que nos encontrar todos os dias, estar sempre juntos. Todos os sentimentos e sensações eram inebriantes. Tudo teria sido perfeito, se não fosse por um único detalhe: quanto maior nossa paixão ficava, mais ciumento ele se tornava. No começo, ciúmes dos meus amigos e de todo e qualquer homem (projeto de homem, na verdade) que tivesse chegado perto de mim. Nesta primeira fase, eu aceitei os ciúmes. Afinal – apesar de nunca ter sido nenhuma devassa – eu tinha a fama de conquistar e depois abandonar meus pretendentes. Eu achei que quando ele visse o quanto eu era apaixonada por ele – e o era! – ele deixaria de ser tão ciumento. Só que o ciúme foi tomando outras proporções e formas: ciúmes das amigas; do tempo que eu passava lendo; do que eu estava pensando. Enfim, ciúmes por eu não ter ciúmes! Eu me sentia no céu quando estava com ele, só que sempre existiam nuvens tempestuosas e ameaçadoras. Eu sempre tentava evitar a tormenta, sempre fugia dos raios e tampava meus ouvidos para não ouvir os trovões. Foi assim que eu vivi os melhores e piores quatro anos da minha vida. Quando ele não estava tendo uma crise de ciúmes, ele era a melhor pessoa do mundo. Eu era apaixonada por ele e – pior ainda – pela família dele. Alguém já ouviu falar dos sogros perfeitos? Eu os tinha! Ele era também o genro perfeito, chegou a carregar meu pai doente no colo (meu pai pesava quase 100 kg). Eu o achava lindo, atraente, vaidoso (o que para mim é uma qualidade essencial num homem), atencioso e extremamente carinhoso (condição sine qua non para mim). Eu literalmente me derretia por ele. Mas, de repente, o horizonte mudava: nuvens vindas de não sei onde colidiam com estas áreas de calor intenso e desabavam sobre mim. Até que um dia, eu tomei uma das decisões mais difíceis que eu já tomei na minha vida: eu decidi que eu não queria viver minha vida fugindo de tempestades. Não foi fácil nem para mim, nem para ele. Eu ainda era extremamente apaixonada por ele e ele não aceitava o fato de que eu não o estava trocando por ninguém. Durante quase um ano, passamos pela fase “agora somos só amigos”. Foi um período muito difícil. Além de ter que resistir à tentação de pular um nos braços do outro toda vez que nos víamos, ainda tínhamos que ver a decepção das nossas famílias com o fim do nosso relacionamento. Esta foi a primeira e a última vez que me envolvi com a família de um namorado. Romper com ele já era suficientemente doloroso. Ter que deixar de ver aquelas pessoas que eu tinha aprendido a amar também, foi desolador. Eu tinha tido a coragem de romper com ele, mas não tinha coragem de me afastar dele totalmente. E era exatamente o que eu precisava. Se continuássemos nos vendo, eu não resistiria. Foi, então, que eu usei os ciúmes dele – pela primeira vez – ao meu favor. Não éramos mais namorados, não estávamos mais juntos, mas eu sabia que se ele me visse com alguém, ele se sentiria traído e se afastaria. Foi o que eu fiz, e foi o que aconteceu. Ele agiu como se tivesse me surpreendido traindo-o. Falou, gritou, chorou e seguiu em frente, sem nunca mais olhar para trás. Acho até que foi um sonho (ou pesadelo) realizado. Foi uma pena! Mas eu nunca me arrependi. Nunca mais aceitei nenhum relacionamento que tivesse a menor sombra de ciúmes pairando sobre ele. As tempestades podem ser perigosamente belas, e o sentimento de desafiar as forças da natureza inebriante, mas podem ser também fatais.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

Turning Tables

Adele

Close enough to start a war
All that I have is on the floor
God only knows what we’re fighting for
All that I say, you always say more

I can’t keep up with your turning tables
Under your thumb, I can’t breathe

So I won’t let you close enough to hurt me
No, I won’t ask you, you to just desert me
I can’t give you what you think you gave me
It’s time to say goodbye to turning tables
To turning tables

Under haunted skies I see you oh
Where love is lost, your ghost is found
I braved a hundred storms to leave you
As hard as you try, no, I will never be knocked down

I can’t keep up with your turning tables
Under your thumb, I can’t breathe

So I won’t let you close enough to hurt me, no
I won’t ask you, you to just desert me
I can’t give you, what you think you gave me
It’s time to say goodbye to turning tables
Turning tables

Next time I’ll be braver
I’ll be my own savior
When the thunder calls for me
Next time I’ll be braver
I’ll be my own savior
Standing on my own two feet

I won’t let you close enough to hurt me, no
I won’t ask you, you to just desert me
I can’t give you, what you think you gave me
It’s time to say goodbye to turning tables
To turning tables
Turning tables, yeah
Turning oh

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