The little boy with a very big heart

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Amigos

Eu não sou saudosista. Sempre vivo o presente e nunca fico pensando no passado.  O que ficou para trás, ficou. Mas, se eu parasse para pensar do que eu sinto falta, eu diria – com certeza – que eu tenho saudades dos meus amigos e da relação de cumplicidade que tínhamos. A correria do dia-a-dia, a escolha de diferentes caminhos e o fato de eu ter ido morar no Nordeste restringiu muito o meu círculo de amizades em São Paulo. Apesar de eu ainda ter contato com eles através das redes sociais, a distância se faz presente. Não existe nada que substitua o contato pessoal: sentar-se frente a frente e conversar sobre tudo o que aconteceu e tem acontecido, dar e receber um abraço, rir dos imprevistos e sofrer juntos pelas perdas é primordial para a manutenção dos laços de amizade. O carinho que sentimos por aqueles que não vemos mais não vai desaparecer, mas eles – infelizmente – acabam fazendo apenas parte de imagens que aparecem no nosso mural. Ao substituirmos as mensagens, e-mails e telefonemas por curtidas, acabamos nos afastando cada vez mais. Muitas vezes achamos que está tudo bem com a pessoa, mas, na verdade, ela está passando por uma fase extremamente difícil.  Vemos fotos sorridentes e não nos damos o trabalho de ligar para nossos amigos, pois assumimos que estão bem. Meu melhor presente de Natal deste ano foi rever pessoalmente, ou falar por telefone com alguns amigos muito especiais. Encontrá-los depois de tanto tempo e sentir que nem o tempo, nem a distância tinham alterado os sentimentos foi muito gratificante. Agora tenho também os amigos que deixei em Natal e espero que eu não fique tanto tempo sem vê-los. Afinal, o que passou, passou, mas existem pessoas e coisas que nunca passam. Elas se tornam partes de nós mesmos e fazem parte da nossa história de vida. Aliás, as nossas histórias se confundem e não seríamos quem somos se não as tivéssemos conhecido.  A vida sem elas é possível, mas que vida mais chata! Muito obrigada. Beijos carinhosos, Val.

A vida é um baile de carnaval

Hoje seria o aniversário da minha avó paterna, cuja presença foi sempre marcante na minha vida. A minha avó materna continua firme e forte a caminho dos seus 95 anos.

As duas já foram homenageadas tanto neste blog, quanto no livro. Os textos foram retirados do blog por exigência contratual e quem não os leu aqui, pode encontrá-los no livro que já está à venda na livraria Cultura e no portal da Amazon.

O texto de hoje também fala de uma avó. Desta vez a homenageada é uma avó do coração.

Eu tenho sorte de ter uma família muito grande e unida. Sou, ainda, duplamente sortuda por ter tido a oportunidade de conviver com as famílias dos meus amigos, que – muitas vezes – se tornaram tão importantes quanto a minha.

A convivência com a vó Teresa e com toda a sua família foi um presente que me foi dado num período muito conturbado da minha adolescência. O seu sorriso fácil e a capacidade de rir de tudo – sobretudo de si mesma – iluminavam todos ao seu redor. Ela era daquelas avós que pintavam os cabelos de roxo, quiçá para perpetuar durante o resto do ano a sua festa favorita: o Carnaval. Foi com ela que eu aprendi a gostar de bailes de carnaval. Ela nos ajudava no planejamento das fantasias e nas compras. Tinha mais energia que todos nós e não perdia nenhuma marchinha. Energia, aliás, era seu nome. Qual avó acompanharia os netos ao Play Center para ficar na fila para eles o dia inteiro? Quem mais se preocuparia em fazer os pratos favoritos de todos, inclusive dos visitantes? Assim que me via, sempre me oferecia o meu doce de cidra favorito. Quando fazia capeletti, sempre me convidava para o jantar; dizendo – modesta – que não tinha ficado bom. Como discutir com ela de boca cheia? Existem algumas pessoas que vêm ao mundo para iluminar a vida de todos ao seu redor e este era o seu caso. Ela se foi da mesma forma como viveu. O passarinho de cabecinha roxa bateu asas e voou.

Se algumas teorias espíritas estão corretas, e cada um tem o seu próprio céu, o da vó Teresa é feito de nuvens roxas de algodão doce, rios de anisete, flores de alfazema, chuvas de confete e marchinhas de carnaval. Lá está ela, sentada nos esperando numa mesa grande, de costas para o sol, fazendo os quitutes favoritos de cada um que chega, recebendo-os com o seu eterno sorriso bondoso.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

Agradecimentos

Minha família e meus amigos sempre me deram, e continuam dando, exemplos de casamentos sólidos. Se o meu padrão é “alto demais” é porque sei que a constituição de uma família íntegra e unida por um amor sadio é possível. Gostaria de agradecê-los por me mostrar que os valores familiares não devem nunca ser menosprezados. Admiro muito a coragem e o empenho de todos vocês.

Muito obrigada pelas minhas fortes raízes.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com