Amigos para siempre

Ao longo das nossas vidas fazemos muitos amigos. Alguns permanecem nas nossas vidas para sempre, outros ficam pelo caminho por motivos diversos. E, apesar de não termos mais um contato frequente com eles, eles permanecem em nossos corações e nos lembramos deles com carinho.

Temos assim nossos amigos de infância que brincavam conosco na rua: pega-pega, esconde-esconde, queima, dono da rua e todas aquelas brincadeiras que garantiam horas de diversão e muita sujeira para tirar ao voltar para casa. Temos os amigos que aprenderam a andar de bicicleta e de patins conosco. Caímos, caíram e levantamos juntos. Alguns deles nos acompanharam na adolescência, outros ficaram na memória rodando no gira-gira e indo e vindo no balanço ou na gangorra.

Nossos amigos de adolescência sempre se destacam, pois fazem parte de todas as descobertas, boas e ruins, que acontecem neste período de nossas vidas. Eles nos oferecem muito mais que amizade. Eles nos oferecem compreensão, companheirismo e espírito de aventura. Eles nos abrem seus lares e nos acolhem em suas famílias. Passamos a fazer parte de outras famílias e nos afeiçoamos a elas como se fossem a nossa. E, como o gramado do vizinho é sempre mais verde, algumas vezes, desejamos que realmente fossem a nossa. Assim ganhamos avós de cabelos roxo que nos levam para pular carnaval e fazem nosso prato preferido. Famílias que nos levam junto nas suas viagens, nos convidam para cafés da tarde com quitutes mineiros e que nos fazem sentir como se estivéssemos em casa.

Durante este período nossos círculos de amizade começam a crescer e vamos ganhando e perdendo alguns amigos. Começam os namoros e nossas amizades mudam. Algumas vezes, os namorados vêm acrescentar. Ganhamos mais amigos e mais círculos familiares. O que nos separa nesta fase da vida são os caminhos diversos que tomamos. Principalmente se os objetivos forem também diversos. Assim perdemos o contato mais frequente e vamos nos distanciando pouco a pouco.

Na nossa vida adulta somos mais ecléticos em nossas amizades: temos os amigos de balada, os amigos de viagem, os de sair para jantar, etc. Algumas vezes, temos a sorte de ter um amigo que serve para todas as alternativas acima. São os nossos “melhores amigos”. Eles nos levam para a balada e depois para casa e, ao chegarmos às 6 da manhã, temos uma mãe nos esperando com caldo de mocotó e sermão.

Algumas vezes a vida nos leva para longe dos nossos amigos e da nossa família, mas temos a sorte de encontrar novos amigos e famílias que nos adotam. Assim fazemos os amigos mais estranhos e extraordinários de nossas vidas. A única coisa que temos em comum com eles é o fato de não pertencermos aquele local. Temos ideias diferentes, gostos diferentes e objetivos diferentes. Mas, mesmo assim, nutrimos por eles os mesmos sentimentos de amor e amizade que um dia nos uniu aqueles outros que tinham os mesmos gostos e ideias.

Temos, ainda, aqueles que estão longe fisicamente, em outros continentes, vivendo vidas totalmente diversas das nossas, mas que se fazem tão presentes que é como se continuassem vivendo ali na esquina. Eles conhecem o valor de um telefonema.

Nós culpamos as redes sociais por nos afastarem dos nossos amigos. Eu discordo. Nós nos afastamos dos nossos amigos por milhares de motivos válidos e inválidos e sempre achamos algo ou alguém para colocar a culpa. Ninguém tem culpa de nada. A vida nos aproxima e nos afasta. Cabe a nós o esforço de manter o contato.

Nos últimos dias eu recebi notícias de 3 amigas pelo Facebook e quando eu as li eu fiquei muito, muito feliz por elas e, ao mesmo tempo, nostálgica por não ser mais tão próxima delas para podermos comemorar juntas. Fiquei sabendo que uma das minhas melhores amigas será vovó, que outra recebeu um transplante e a outra caiu de moto. Caiu de moto? E você ficou feliz? Fiquei sim! Pois fiquei sabendo, no mesmo post, que a queda não tinha sido grave e que ela tinha levantado, sacudido a poeira e dado a volta por cima. Da mesma forma que ela tem feito como todos os tombos que a vida tem insistido em lhe dar.

Apesar de ter ficado com saudades do tempo em que nós todas conversávamos todos os dias e saíamos juntas, eu fiquei feliz por ter recebido notícias delas. Se não fosse pelo Facebook, talvez eu não tivesse nem mais contato com elas. É pelo WhatsApp que eu converso com a minhas amigas que moram longe e que recebi, recentemente, a foto da mãe que fazia caldo de mocotó depois da balada e notícias da filha que continua dançando, pois arrumou um marido baladeiro. E assim vamos nós, longe dos amigos, mas perto da família, que divide conosco laços de amor, carinho e amizade. Que os velhos amigos permaneçam sempre nas nossas vidas (reais ou virtuais). E que venham novos amigos!

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Amigos

Eu não sou saudosista. Sempre vivo o presente e nunca fico pensando no passado.  O que ficou para trás, ficou. Mas, se eu parasse para pensar do que eu sinto falta, eu diria – com certeza – que eu tenho saudades dos meus amigos e da relação de cumplicidade que tínhamos. A correria do dia-a-dia, a escolha de diferentes caminhos e o fato de eu ter ido morar no Nordeste restringiu muito o meu círculo de amizades em São Paulo. Apesar de eu ainda ter contato com eles através das redes sociais, a distância se faz presente. Não existe nada que substitua o contato pessoal: sentar-se frente a frente e conversar sobre tudo o que aconteceu e tem acontecido, dar e receber um abraço, rir dos imprevistos e sofrer juntos pelas perdas é primordial para a manutenção dos laços de amizade. O carinho que sentimos por aqueles que não vemos mais não vai desaparecer, mas eles – infelizmente – acabam fazendo apenas parte de imagens que aparecem no nosso mural. Ao substituirmos as mensagens, e-mails e telefonemas por curtidas, acabamos nos afastando cada vez mais. Muitas vezes achamos que está tudo bem com a pessoa, mas, na verdade, ela está passando por uma fase extremamente difícil.  Vemos fotos sorridentes e não nos damos o trabalho de ligar para nossos amigos, pois assumimos que estão bem. Meu melhor presente de Natal deste ano foi rever pessoalmente, ou falar por telefone com alguns amigos muito especiais. Encontrá-los depois de tanto tempo e sentir que nem o tempo, nem a distância tinham alterado os sentimentos foi muito gratificante. Agora tenho também os amigos que deixei em Natal e espero que eu não fique tanto tempo sem vê-los. Afinal, o que passou, passou, mas existem pessoas e coisas que nunca passam. Elas se tornam partes de nós mesmos e fazem parte da nossa história de vida. Aliás, as nossas histórias se confundem e não seríamos quem somos se não as tivéssemos conhecido.  A vida sem elas é possível, mas que vida mais chata! Muito obrigada. Beijos carinhosos, Val.

A vida é um baile de carnaval

Hoje seria o aniversário da minha avó paterna, cuja presença foi sempre marcante na minha vida. A minha avó materna continua firme e forte a caminho dos seus 95 anos.

As duas já foram homenageadas tanto neste blog, quanto no livro. Os textos foram retirados do blog por exigência contratual e quem não os leu aqui, pode encontrá-los no livro que já está à venda na livraria Cultura e no portal da Amazon.

O texto de hoje também fala de uma avó. Desta vez a homenageada é uma avó do coração.

Eu tenho sorte de ter uma família muito grande e unida. Sou, ainda, duplamente sortuda por ter tido a oportunidade de conviver com as famílias dos meus amigos, que – muitas vezes – se tornaram tão importantes quanto a minha.

A convivência com a vó Teresa e com toda a sua família foi um presente que me foi dado num período muito conturbado da minha adolescência. O seu sorriso fácil e a capacidade de rir de tudo – sobretudo de si mesma – iluminavam todos ao seu redor. Ela era daquelas avós que pintavam os cabelos de roxo, quiçá para perpetuar durante o resto do ano a sua festa favorita: o Carnaval. Foi com ela que eu aprendi a gostar de bailes de carnaval. Ela nos ajudava no planejamento das fantasias e nas compras. Tinha mais energia que todos nós e não perdia nenhuma marchinha. Energia, aliás, era seu nome. Qual avó acompanharia os netos ao Play Center para ficar na fila para eles o dia inteiro? Quem mais se preocuparia em fazer os pratos favoritos de todos, inclusive dos visitantes? Assim que me via, sempre me oferecia o meu doce de cidra favorito. Quando fazia capeletti, sempre me convidava para o jantar; dizendo – modesta – que não tinha ficado bom. Como discutir com ela de boca cheia? Existem algumas pessoas que vêm ao mundo para iluminar a vida de todos ao seu redor e este era o seu caso. Ela se foi da mesma forma como viveu. O passarinho de cabecinha roxa bateu asas e voou.

Se algumas teorias espíritas estão corretas, e cada um tem o seu próprio céu, o da vó Teresa é feito de nuvens roxas de algodão doce, rios de anisete, flores de alfazema, chuvas de confete e marchinhas de carnaval. Lá está ela, sentada nos esperando numa mesa grande, de costas para o sol, fazendo os quitutes favoritos de cada um que chega, recebendo-os com o seu eterno sorriso bondoso.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

Agradecimentos

Minha família e meus amigos sempre me deram, e continuam dando, exemplos de casamentos sólidos. Se o meu padrão é “alto demais” é porque sei que a constituição de uma família íntegra e unida por um amor sadio é possível. Gostaria de agradecê-los por me mostrar que os valores familiares não devem nunca ser menosprezados. Admiro muito a coragem e o empenho de todos vocês.

Muito obrigada pelas minhas fortes raízes.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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