Feliz 2018

Eu gostaria de agradecer a todos que me ajudaram durante este ano que se encerra, principalmente aqueles que se fizeram presentes, seja fisicamente ou moralmente, através de atos ou palavras de apoio. Sem a sua ajuda, tudo teria sido muito mais difícil. Muitíssimo obrigada e que durante o próximo ano, vocês recebam em dobro tudo o que, generosamente, doaram durante este. Que possamos ajudar uns aos outros e aos necessitados e que encontremos tempo para cultivar as nossas amizades, nunca deixando nos abater pelas dificuldades e tentando sempre buscar o melhor que a vida tem a nos oferecer. Que 2018 seja um ano de realizações de sonhos e que todos tenhamos saúde, física e mental, para poder vivê-los plenamente. Amo vocês.

stefano

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Amor a toda prova

Eu sempre achei que o amor tinha que ser fácil: sem dramas, sem brigas e sem sacrifícios. Nunca me comovi com paixões extremas. Embora aprecie muito as obras de grandes autores, tais como Shakespeare, um amor devastador como o de Romeo e Julieta só teria lugar na ficção, na minha opinião. Mas, como tudo na vida, o ideal, talvez, esteja no meio termo. Sei que, se houvesse feito algumas concessões, eu não estaria sozinha. Não me arrependo de não as ter feito. Acho que se tivesse, aí sim, teria me arrependido.

Mas, não posso deixar de admirar aqueles que lutam com unhas e dentes pelo seu amor. Eles brigam, se separam, resolvem as diferenças e voltam a viver juntos. Eles não desistem um do outro. Eles constroem, destroem e reconstroem o seu amor diariamente e, tal qual Fênix, ele renasce das cinzas, cada vez mais forte. Cada vez trazendo ao mundo mais uma prova do seu amor. Um pedacinho de cada, com luz e vida própria, mostrando a todos que toda forma de amar vale a pena. Eles não têm medo de serem julgados. Vivem a sua vida e o seu amor da melhor forma que podem, pois têm a certeza de que é este sentimento tão arrebatador que os fortalece e os une, formando laços cada vez mais fortes, criando vidas, ensinando-os a viver o seu amor e conciliando as suas diferenças. Para eles, uma alma gêmea não é aquela nascida para completar a outra; é aquela moldada, às vezes a ferro e fogo. Forjam, assim, o seu destino, o seu amor e a sua família. Lutam sempre, perdem algumas vezes, mas sempre ganham no fim. Percorrem o caminho dos bravos, onde somente os muito corajosos e puros de coração – capazes de tudo perdoar – não se perdem. O seu destino? Aquele que escolherem!

Stefano Paterna Venedig-18

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Meu segundo amor

Há 9 anos eu conheci meu segundo amor. Do primeiro eu havia escapado corajosamente, ao vislumbrar uma vida minada por crises de ciúmes. Ao fugir do primeiro, ao escolher a razão sobre a emoção, ao sofrer demasiadamente para me manter afastada, eu achava que havia perdido a capacidade de me apaixonar perdidamente por alguém novamente. Mas, fui surpreendida, ao ser invadida por sentimentos tão fortes, tantos anos depois. Aquela sensação de que todo o resto é supérfluo. Aquela certeza de que tudo o que você fez na sua vida, o fez para estar ali, junto daquela pessoa. De que não existe outro lugar tão perfeito para recostar a sua cabeça além daquele ombro ao seu lado. Aquela falta de ar, ao perder de vista o objeto do seu amor. Aquela sensação de estar finalmente em casa, de poder dormir em paz, um sono com sonhos bons. E, tal como o primeiro, o meu segundo amor também foi correspondido. O ciúme, porém, ficou fora de cena. Mas, o fato de termos vidas distintas em lugares diferentes nos causou sofrimento, à medida que víamos que o dia de nos separarmos chegava cada vez mais próximo. Achávamos que éramos as pessoas certas, na hora errada. Nos separamos de corações quebrados. E aquele foi um ano de idas e vindas. De discussões sobre ficarmos ou partirmos juntos. Em todas elas, chegávamos à mesma conclusão: o sacrifício seria grande demais. Mais uma vez eu deixei a razão vencer a emoção. Todos, inclusive a minha mãe, achavam que eu deveria partir com ele. Viver o meu grande amor. Mas eu não acredito em sacrifícios em nome do amor. Eu fiquei. De coração quebrado, mas fiquei. Ele foi. De coração quebrado, mas foi. Mas, ele voltou mais algumas vezes. Todas as vezes que ele volta, eu rezo para que eu me sinta diferente em relação a ele. Mas, não importa quanto tempo nós fiquemos afastados, quando nos encontramos é como se o tempo houvesse parado. Nada de estranho, tudo se encaixa naturalmente. É como se tivéssemos nos encontrado no dia anterior. Já nem falamos mais em ficar ou ir. Temos nossas vidas, em países diferentes, com culturas diferentes. Por um acaso, nos encontramos no meio do caminho, um caminho que não é o meu, nem é o dele. Covardes, não colocamos nosso amor à prova. Quem sabe se sobreviveria? O problema é que acabamos nos acomodando, temos um ao outro, mas vivemos a maior parte do tempo sozinhos. Nos amamos, mas não estamos juntos nem nos momentos bons, nem nos ruins. E, talvez, depois de 9 anos, seria inteligente pensar que não somos as pessoas certas, na hora errada. Depois de 78840 horas, seria prudente pensar que, talvez, sejamos as pessoas erradas, na hora errada, no lugar errado. Mas, desde de quando o amor é inteligente e prudente? O meu, infelizmente, o é. Talvez seja a hora de conhecer o meu terceiro amor. Um amor sem ciúmes, que esteja no lugar certo e na hora certa. Talvez, eu esteja pedindo demais. Mas, nunca se sabe. Talvez seja como dizem em inglês: “The third time’s the charm”.

Stefano Paterna Venedig-18

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Reason # 30

People usually feel sorry for the singles and the last ones feel sorry for themselves as well. Most singles suffer from self-pity. Whose fault is this? What have I done to deserve it? Nobody loves me and nobody cares about me! What a pity! I could be a good parent! Who is going to take care of me when I get old? Those few singles, who feel well, end up feeling guilty about their wellness (Am I normal?), or they pretend to be unhappy just to please others.

Why is it so difficult for everyone to admit that there are people that live alone and are not lonely? Why does that bother people so much? Jealousy? Are they missing the “good old times”?

To get married or not to get married: that is the question. Think properly. Think about the pros and cons. Be sure you are not just following the flow or being afraid of ending up alone. Of course, if things get bad, you can get divorced. Even though divorces are more and more common nowadays, they still bring a lot of trouble and break hearts. You have to think even more carefully when deciding to have kids. You have to be prepared psychologically, mentally and financially for that. We must have the conscience that when we become involved with any other being (a partner, a child or even a pet) we are signing a commitment term of giving them our love, care and thoughts, of giving them our best. If you feel you are ready for that commitment, go for it. Conscious love is the goal.

stefano

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Source: Reason # 30

Reason # 29

Divorcing brings up dealing with child custody and support; spousal support and alimony laws; property distribution and/or – more and more common nowadays – debts distribution. Most couples make loans that are hardly paid at the due date when they are together; when they get divorced, their debts are usually bigger than their assets. Their standard of living falls. Children have to change schools and houses. Guilty parents try to compensate that, giving them anything they want, thus making more debts. Two different houses, double expenses, half of the income. Assets divided, half for the lawyers, half for the divorcees.

Run for your life!

Fotoreise Sambia Malawi Stefano Paterna_8

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Source: Reason # 28

Eu sobrevivi à minha mãe

Eu nunca quis ser mãe, não sou mãe e nunca serei mãe. Meu relógio biológico nasceu quebrado e nunca soou.

Os motivos são vários, mas acredito que a falta de coragem para arcar com esta responsabilidade foi decisiva.

Eu nunca me senti preparada para assumir tal papel. Eu nunca quis repetir a minha história.

Eu cresci vendo minha mãe sofrer, enlouquecendo a cada passo nosso. Fazendo o seu melhor e nos dando o seu pior. E eu sei que é fácil criticar, e que ela fez tudo para ser uma boa mãe. Mas, pelo menos para mim, ela sempre foi uma nuvem sombria pairando sobre a minha cabeça. Na vã tentativa de me proteger de tudo e todos, ela me fez acreditar – por um bom tempo – que eu não era capaz de fazer nada direito. Tudo o que eu queria era muito difícil, levava muito tempo e alguém tinha morrido frustrado tentando fazer.

Assim, desde pequena, eu fui desistindo de uma coisa atrás da outra.

Pode até ser que eu realmente não tivesse nascido para fazer aquelas coisas, e que a minha falta de aptidão fosse real, mas eu nunca vou saber de verdade, pois eu desisti antes mesmo de realmente tentar. Cada tentativa era – e ainda é – seguida de uma crítica virulenta. Eu nunca, nunquinha mesmo, recebi um elogio da minha mãe que não fosse imediatamente seguido de um grande MAS….

Uma das primeiras coisas que ela me fez desistir foi das artes plásticas. Com medo de que eu tentasse seguir o exemplo do meu pai, ela não nunca poupou críticas e quando alguém dizia que eu tinha jeito para coisa ela mostrava todos os defeitos aparentes nas minhas telas infantis. Depois foi o balé: eu era desajeitada e não nunca conseguiria ser graciosa; o canto e o violão: desafinada!

Ela só não conseguiu fazer com que eu desistisse das aulas de Inglês. Foi uma briga de mais de um mês, pois ela não queria que eu fosse sozinha até a escola. Eu venci esta briga. Ainda bem, pois hoje eu sou professora deste idioma.

Eu consegui ser professora de Inglês em escolas de idiomas apesar dela. Eu nunca tinha pensado em ser professora e quando eu fui convidada pela coordenadora da escola para tentar, ela foi contra.

Aliás, todas as vezes que eu arrumo um novo emprego e começo algo, ela me deseja boa sorte: “Boa sorte, você vai precisar! Você vai ver como é difícil! Não vão te pagar direito, etc.”

Eu sei que esta é a maneira torta que ela tem para me proteger. Ela prefere me desiludir logo de cara, assim eu não vou sofrer. Ela acha que se a crítica vier dela, minha decepção será menor.

Ela conseguiu me prender neste círculo infernal durante toda a minha infância. Eu passei anos me achando feia, barriguda, desajeitada. Ela me fazia acreditar que todos estavam nos julgando o tempo todo e que éramos preteridos. Minha avó preferia as outras tias, e consequentemente, os outros netos. Ela se sentia preterida e, ao invés de nos proteger deste sentimento, ela fazia questão de nos contaminar.

Na minha adolescência, graças às famílias das minhas amigas, eu passei a ver o mundo através das nuvens pretas. Eu vi um mundo bonito, e, melhor ainda, eu vi que eu poderia ter um lugar nele. Esta foi a minha fase “diabólica”. É assim que minha mãe denomina a fase que eu passei a viver, apesar dela.

Eu sei que tudo o que ela fez é inconsciente, e que se é duro viver com uma nuvem negra pairando sobre a sua cabeça. Mil vezes mais duro deve ser, ser a nuvem.

A nuvem dela está cada vez mais negra, e tomou conta completamente dela. Ela não tem forças para lutar contra a escuridão.

Está cada vez mais difícil também, brilhar apesar dela. Eu luto todos os dias para não deixar que ela me ofusque, e que toda a negatividade, maldade e desânimo não me contamine. Eu estou cada vez mais cansada de lutar contra a tempestade.

Eu sobrevivi à minha mãe, ao seu senso crítico, à sua insatisfação crônica, ao seu dever de me informar quão desajeitada eu era – eu sou – para a vida.

Mas está cada vez mais difícil sobreviver à sua depressão e falta de vontade de viver.

A luta diária para achar compaixão por alguém que tão pouco me mostrou este lado é árdua. Ter dó de quem não tem dó de ninguém, é cansativo. Ignorar os comentários maldosos, recalcados e repletos de ressentimento é uma luta diária. Não ressenti-los, é uma batalha homérica.

Até agora eu consegui ver através das nuvens, me afastar da tempestade e sobrevivi aos raios e trovões. Mas eu sinto, cada vez mais forte, a ameaça. Eu sou uma sobrevivente, e espero que meu instinto de sobrevivência seja maior que o meu filial. E para tanto, eu rezo todos os dias: para manter a escuridão longe de mim!

Fotoreise Island

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Bedtime story # 7

You are taking a walk on the beach and you see that gorgeous surfer getting out of the sea with his surfing board, muscular suntanned body; he shakes his head to get rid of some water from his golden hair e slowly raises his eyes to you and you see mucus coming from his runny nose. Could this possibly be worse? Yes, it could: he cleans his nose with his bare hands and throws the mucus away, almost hitting you;

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viaBedtime story # 7.

Balzaquianos

Venho, mais uma vez, agradecê-los. Este blog vai alçar novos voos e se tornar um livro em breve. Sem o apoio de vocês, meus leitores, isto nunca teria sido possível. Muitíssimo obrigada!

I’m writing this post to say thank you to my readers. This blog will soon become a book. Without your support, this wouldn’t have been possible. Thank you very much!

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