Viva a vida – Dançar

Embora eu goste muito de dançar eu, infelizmente, não tenho muito jeito para a dança. Meus primeiros passos neste mundo foram dados nas aulas de balé, quando eu ainda era criança. Eu era tão ruim que nem mesmo minha mãe me elogiava – com tutu cor-de-rosa e tudo! Eu tive sorte na minha adolescência, pois saber dançar não era requisito básico nos anos 80 (ainda bem que eu não vivi nos tempos áureos da discoteca!). É óbvio que, sendo brasileira, eu sempre gostei de carnaval. O samba deveria correr em minhas veias. Talvez eu devesse fazer uma transfusão?

Carnaval de Olinda

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Quando a Lambada se tornou uma febre, eu decidi que eu iria aprendê-la. Matriculei-me em um curso e aprendi os passos básicos, os quais eu tive que demonstrar e ensinar numa festa de Ano Novo em Mollendo, no Peru. (Tenho certeza que, depois da aula, eles começaram a duvidar que eu fosse realmente brasileira!) Eu já tinha me conformado com a ideia de que eu nunca aprenderia a dançar nada direito quando eu me mudei para Natal.  Eu queria me exercitar e não havia nenhuma academia perto da minha casa. Eu tinha uma aluna que fazia aulas de dança do ventre e que me convenceu a ir fazer uma aula. Foi uma das coisas mais difíceis que eu já tinha feito na minha vida, mas a professora era tão divertida que eu resolvi tentar. Você se lembra daquele desenho da Disney no qual as árvores ganham vida e saem andando? Elas são duras e desajeitadas; seus galhos são inertes e suas raízes enroscam em tudo?

Era assim que eu me sentia cada vez que eu tinha que aprender um novo passo:

Val_6Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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Eu só continuei devido à paciência da minha professora. Depois de muitas aulas extremamente cansativas e desafiadoras, eu comecei a aprender alguns passos e coreografias. Apesar de ter evoluído muito mais do que eu esperava, eu não podia nem pensar na possibilidade de fazer uma apresentação. Todas as vezes que as datas das apresentações estavam chegando, eu sumia da escola. Até que um dia, eu percebi que eu era como alguns dos meus alunos: apesar de terem aprendido a falar inglês muito bem, eles tinham vergonha de falar fora da aula. Ver que alguém aprendeu, apesar de todas as dificuldades, e não tem confiança é muito frustrante para um professor.   Eu decidi que eu iria fazer uma apresentação por causa da minha. Ela ficou extremamente feliz. Preparou meu traje de lantejoulas verdes e o dia da apresentação chegou. Eu fiquei tão nervosa que eu não vi ninguém. Eu continuava me sentindo como uma árvore (só que de Natal por causa das lantejoulas verdes), mas eu dancei e não errei nenhum passo. Foi uma experiência muito boa e libertadora.

O dia no qual me senti uma árvore de Natal:

DSC_0475DSC_0484Tuareg – Natal – Rio Grande do Norte

Depois da apresentação, eu tive mais duas professoras. Elas me ensinaram a melhorar os meus movimentos, dando vida a eles. Esta experiência tem sido muito desafiadora tanto fisica quanto psicologicamente. Eu aprendi a pensar que ser sexy era oposto de ser inteligente. A dança do ventre é uma dança muito sensual. Existe uma linha muito tênue entre ser sexy e ser vulgar. Durante quase toda minha vida eu não via esta linha: sexy era vulgar! A dança do ventre me permitiu entrar em contato com meu lado sexy; deu-me mais segurança e feminilidade. É claro que eu nunca serei alguém que tem facilidade para aprender a dançar. Mas eu aprendi dar os primeiros passos e me senti muito bem!

Depois de dançar eu me senti tão leve quanto um passarinho!

Stefano-Paterna-Valeria-7Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

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