Viva a vida – Terapia do Riso

Há exatamente 13 anos eu levava a vida de uma mulher adulta de sucesso: eu tinha meu próprio negócio; estava vivendo com meu namorado há sete anos; tinha uma vida social e cultural bem interessante; vivia num bairro excelente, em uma das cidades mais desenvolvidas do mundo (São Paulo); eu tinha tudo que a maioria das pessoas luta por: uma carreira sólida; um bom relacionamento; uma vida confortável, etc. É claro que eu tinha que trabalhar das 6 da manhã às 11 da noite seis dias por semana. Mas, quem não tinha? Uma manhã, quando o alarme tocou às 5 da manhã, eu me levantei e quando eu coloquei meus pés no chão eu senti uma dor tão forte que parecia que alguém estava me esfaqueando, eu tive que me sentar e mal podia respirar. Foi o começo de um ano cheio de consultas médicas; exames exaustivos; diagnósticos e tratamentos errados. No final daquele ano, eu finalmente recebi o diagnostico correto: eu tinha uma discopatia degenerativa entre L5-S1 e meu médico me recomendou um programa experimental em um hospital público. Eu fiquei chocada quando ele me disse que eu tinha que participar do programa e frequentar um hospital público por uma semana inteira, ficando lá desde manhã até a noite. O programa trazia tratamentos não convencionais. A primeira coisa que eles fizeram foi explicar exatamente o que tínhamos, o que poderia ser a causa e o que deveríamos evitar para agravar o problema. Eles nos ensinaram como deveríamos nos sentar, nos mover e dormir confortavelmente. Recomendaram acupuntura para aliviar a dor e começaram a trazer vários profissionais que nos ensinaram a relaxar e nos divertir. Eles nos ensinaram que tínhamos que aprender a lidar com o stress para podermos ter uma vida sem dor. Então eu comecei a fazer acupuntura, terapia e tentei arrumar um tempinho na minha agenda para “me divertir”. A acupuntura me ajudou a lidar com a dor e a terapia a achar as rachaduras na minha vida perfeita: eu vi que tinha levava uma vida que eu não queria. Eu não queria ter aquele negócio e todas as responsabilidades que eu tinha; eu gostava do meu namorado, mas não o amava; e, apesar de sempre ter amado viver em São Paulo, já era hora de me mudar. A vida que eu tinha podia parecer perfeita, mas eu era uma pessoa chata e chateada vivendo uma vida estressante. Além de trabalhar muito, o meu “divertimento” não era muito divertido. Eu ia ao cinema pelo menos duas vezes por semana, mas sempre assistia a dramas. Meu namorado dizia que minha avaliação dos filmes ocorria da seguinte maneira: uma lágrima – OK; um bom choro – legal; um pranto inconsolável – excelente! O mesmo sistema era utilizado para peças teatrais e livros. Eu assinava – e lia! – 2 jornais e assistia aos noticiários em Português, Inglês e Espanhol todos os dias.  Eu adoro estudar línguas, mas eu estava estudando Espanhol, Italiano e Francês ao mesmo tempo. Eu tentei me acomodar àquela vida, pois quando todos acham que sua vida é maravilhosa começamos a pensar que talvez nós estejamos errados. Mas, depois de algum tempo, eu decidi que deveria mudar tudo: eu vendi minha parte na sociedade; desmanchei meu namoro e viajei para o Nordeste sem passagem ou data de volta. Eu não tinha nenhum plano. Fiquei um mês sem fazer nada em Jericoacoara (Ceará) e dois meses em Pipa, Galinhos, São Miguel do Gostoso e Natal (Rio Grande do Norte). Quando eu cheguei em Natal eu comecei a trabalhar para um amigo e quando me dei conta estava morando há 11 anos lá. Depois vivi em Pipa durante 6 meses e agora vivo em Marília (interior de São Paulo) há mais de um ano. Eu tenho levado uma vida simples, mas confortável e saudável. Eu mudei completamente minha atitude perante à vida. Eu li alguns textos que falavam sobre a terapia do riso do Norman Cousin e decidi experimentar: meu sistema de avaliação agora funciona assim: um sorriso – OK; muitas risadas – muito bom; gargalhadas incontroláveis – excelente. Eu ainda assisto aos noticiários, mas não todos os dias e nunca, nunca mesmo, vejo os detalhes sórdidos. Eu comecei a assistir desenhos animados novamente e os adoro (Tom e Jerry; Ed, Edd and Eddy e Foster’s Home for Imaginary Friends são meus favoritos). Eu sempre assisto às series cômicas: Seinfeld e Frasier são clássicos que eu sempre voltarei a ver, mas eu também gosto de Two and a Half Men (com Charlie Sheen ou Ashton Kutcher); The Big Bang Theory; Modern Family; How I Met Your Mother; Los Caballeros las Prefieren Brutas e Los Simuladores. Eu sei que a pergunta é se a terapia funcionou ou não. A resposta é afirmativa, mas não pensem que foi fácil. Quando você decide viver uma vida diferente da qual a pessoas esperam que você leve, você será julgado e rotulado de difícil ou excêntrico. Eu não me arrependo das escolhas que eu fiz. Meu disco “degenerado” ainda está lá no mesmo lugar e de vez em quando dá sinal de vida. Mas nunca mais eu senti aquela dor insuportável. Eu não sou ingênua e sei que a vida pode ser dura. Eu escolhi não me preocupar tanto e tentar vivê-la da melhor maneira possível.

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

Este é um dos episódios mais engraçados do Two and a Half Men.

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