Viva Várias Vidas – Leia!

A semana passada foi uma semana de luto. Uma das pessoas mais influentes da minha vida foi-se, sem que eu jamais tivesse tido a oportunidade de lhe dizer o quanto ela foi importante para mim. Como dirigir-se ao mestre de todos os mestres? Se me atrevo a escrever-lhe agora é porque sei que, tendo seu corpo sido cremado, não há possibilidade de seus ossos se revirarem dentro do caixão por tão tosca homenagem. Seu espírito, ocupado em testar todas as suas teorias metafísicas (num corpo de um gato para poder cravar os dentes numa laranja?), não irá se chocar com o meu mau uso da língua.

Falando em línguas, foi por sua causa que eu resolvi começar a aprender a espanhola e foi com ele que eu aprendi quase tudo o que sei. Tudo me ensinou através do seu riquíssimo vocabulário e da sua maestria em lidar com as palavras.

Foi ele quem me fez companhia – tantas e inúmeras vezes – que eu não saberia qual é o significado da palavra solidão, não houvesse sido ela descrita, tantas vezes e tão bem, por ele mesmo.

Por sua causa sei também o significado de um dos piores males que pode assolar uma pessoa: a insônia. Mais uma vez suas palavras me fizeram compreender um mal do qual – felizmente! – não padeço.

Amores possíveis ou impossíveis; efêmeros ou eternos; mundanos ou platônicos. O que sei eu sobre o amor que ele não me tenha ensinado?

Ele foi testemunha da última vez em que me apaixonei por alguém. Talvez esta paixão só tenha acontecido por causa daquela inspirada por ele.

Ele foi meu guia em inúmeras viagens. No plano real ou no onírico, seu surrealismo mágico sempre teve a capacidade de me transportar para lugares jamais imaginados por ninguém.

Ensinou-me também que a História se faz com e através de diversas histórias. Ele me fez passar algumas das horas mais angustiantes da minha vida. Seja fechada em cárcere privado ao lado dos sequestrados colombianos; seja no meio de uma guerra civil ou condenada a viver uma vida insone sem sonhos e solitária. O mundo nunca mais foi o mesmo depois de suas histórias.

Da mesma forma que estes lugares passaram a fazer parte da minha vida, as pessoas que neles habitavam também se tornaram íntimas, pois ele sempre me desvendava os seus medos e seus pensamentos mais profundos. Às vezes tão bem, que eles se confundiam com os meus próprios.

Ele tornou meu mundo melhor ao me levar para o seu e, apesar de eu ter feito inúmeras viagens, nenhuma delas foi tão boa quanto às que eu fiz em sua companhia.

Com ele eu pude viver experiências com as quais eu nunca havia sonhado; viver vidas diversas e emoções várias.

Sem ele, enfim, minha vida não teria sido a mesma.

Muchísimas gracias señor Gabriel García Márquez.

Fotoreise Toskana Fotokurse Fotoworkshop

Fotógrafo/Photographer: Stefano Paterna (direitos reservados/copyrighted)

www.stefanopaterna.com

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